O mercado de robôs cortadores de grama vive uma disputa acirrada: marcas chinesas avançam com softwares enxutos, enquanto fabricantes europeus tentam responder com hardware refinado.
Nessa briga, o Stiga A 6v, produzido na Itália, chega exibindo cor amarela chamativa, 8,9 kg e promessa de navegação por câmera com inteligência artificial, sem necessidade de fios perimetrais.
Leve, sem fio e com câmera inteligente
O Stiga A 6v opera livre de cabos delimitadores e dispense antenas RTK. Uma câmera frontal identifica a borda do gramado e obstáculos, conceito batizado pela marca de Vista. Essa solução usa IA para analisar o terreno em tempo real.
Com certificação IPX5, o robô suporta jatos d’água, permitindo limpeza rápida com mangueira. Seu disco de corte traz quatro lâminas e largura de 18 cm, abaixo de concorrentes como o RockNeo Q105, que oferece 22 cm.
Configuração demorada
Diferente dos rivais que pedem escaneamento de QR Code, o usuário fotografa a etiqueta de série e passa por um assistente de 37 minutos. Na prática, o processo sofreu quedas e levou horas, segundo o teste.
Depois dessa etapa, ainda é preciso enviar imagem da nota fiscal para ativar a garantia, alongando a maratona de setup.
Experiência de mapeamento gera frustração
Para mapear o jardim, o Stiga A 6v deve sair da base, girar 180 graus e avançar alguns metros. Somente na terceira tentativa o procedimento funcionou sem que o robô voltasse à estação.
Ao dirigir o aparelho pelas bordas, o movimento mostrou-se lento para iniciar e parar, o que comprometeu a precisão dos pontos de referência que indicam o retorno à base.
App considerado ultrapassado
A interface concentra carga de bateria, modo de corte e localização, porém recebeu críticas por layout poluído e resposta lenta, lembrando versões de software de anos atrás.
Qualidade de corte impressiona
No momento em que finalmente entrou em ação, o Stiga A 6v entregou um resultado próximo a gramado sintético. Nenhum fio de grama ficou para trás e o visual final foi elogiado pelo padrão homogêneo.
O aparelho atende áreas de até 600 m², cobre cerca de 145 m² por carga e aceita inclinações de até 45%. A altura de corte varia de 2 cm a 6 cm em passos de 5 mm.
Imagem: Divulgação
Limitações nas bordas
Apesar do corte central exemplar, o robô mantém distância de alguns centímetros das extremidades, exigindo acabamento manual ou com aparador dedicado.
Não existe módulo de corte de bordas, recurso presente no concorrente RockNeo Q105.
Sistema de detecção vacila em objetos pequenos
Durante os testes, bolas e mangueiras foram reconhecidas com atraso. Quando o obstáculo era muito baixo, a parada de segurança precisou ser ativada manualmente.
Em compensação, o Stiga permaneceu dentro da área mapeada e operou em silêncio, com nível sonoro divulgado de 55 dB.
Segurança e rastreamento
O modelo oferece bloqueio por senha na app e rastreamento GPS. Caso seja levado a mais de 100 m da área virtual, envia alerta push para o smartphone do dono.
Preço europeu e valor estimado no Brasil
Na Europa, o Stiga A 6v sai por 999 euros. Convertendo à cotação média de R$5,40, o robô chegaria próximo de R$5,4 mil, sem incluir impostos de importação ou margens de distribuição locais.
Para comparação, o Roborock RockNeo Q105 custa 799 euros (cerca de R$4,3 mil) e já traz módulo de corte de bordas. Outra alternativa, o RoboUp Raccoon 2 SE, aparece por menos de 500 euros (aproximadamente R$2,7 mil).
Pontos positivos e negativos
- Leve, fácil de transportar
- Navegação sem cabos ou antenas externas
- Corte central de alto nível
- Operação silenciosa
- Configuração longa e suscetível a falhas
- App com design desatualizado
- Distância nas bordas obriga retoques
- Reconhecimento tardio de objetos pequenos
- Preço elevado frente a rivais com mais recursos
Em síntese, o Stiga A 6v comprova competência de hardware, mas revela que softwares chineses seguem liderando a categoria. Para quem acompanha o Mania de Celular e curte tecnologia mobile aplicada à casa, vale observar que, hoje, opções asiáticas oferecem apps mais ágeis e preços competitivos.
