Aquela foto borrada enviada por MMS, que um dia pareceu alta tecnologia, tem data para sair de cena na Alemanha. As principais operadoras do país vão desligar o serviço, encerrando de vez uma era de mensagens multimídia pagas por unidade.
O cronograma já está definido: até junho de 2026 você ainda conseguirá enviar e receber a velha MMS. Depois disso, só restará recorrer a alternativas como RCS ou aos mensageiros que dominaram o mercado nos últimos anos.
Linha do tempo do fim da MMS
Telekom e 1&1 desligam primeiro
De acordo com as páginas de suporte das empresas, Telekom e 1&1 manterão o serviço até 30 de junho de 2026. No dia seguinte, qualquer tentativa de envio ou recebimento simplesmente falhará. As duas operadoras sugerem que os clientes adotem o RCS na aplicação Mensagens como substituto.
Telefónica Alemanha segue o mesmo roteiro
A Telefónica Alemanha (rede O2) também anunciou que interromperá a MMS em 1º de julho de 2026, na prática acompanhando o prazo das rivais. O aviso pede atenção especial aos usuários que ainda dependem de aparelhos antigos, já que, além da MMS, o sinal GSM será desativado em 2028.
Vodafone saiu antes de todo mundo
A Vodafone deixou a tecnologia para trás bem mais cedo: em 17 de janeiro de 2023. Na ocasião, a empresa justificou a medida pelo processo de modernização da rede, preservando somente a SMS, que continua ativa.
Por que o fim da MMS era inevitável?
Tarifas salgadas afastaram consumidores
Desde a estreia em 2002, a MMS sempre pareceu cara. Por anos, 0,39 euro foi a tarifa “padrão” por foto, mas não era incomum ver cobranças de 0,59, 0,99 ou até 1,59 euro, especialmente no exterior. O custo por mensagem assustava, principalmente quando os pacotes de dados começaram a baratear.
Imagens pequenas e qualidade questionável
Além do preço, a limitação de tamanho transformava as fotos em borrões comprimidos. O resultado lembrava a impressão de se olhar a imagem através de um pano molhado. Em 2012, momento de pico da MMS, o próprio relatório da Vodafone registrou 13 milhões de mensagens no mês, enquanto a boa e velha SMS bateu 1,5 bilhão.
Ascensão dos mensageiros e da internet móvel
Com câmeras melhores nos smartphones e redes 3G, 4G e 5G, plataformas como WhatsApp, Telegram e iMessage tomaram conta do mercado. Nessas aplicações, enviar dezenas de fotos é trivial, muitas vezes via Wi-Fi, sem cobrança avulsa.
RCS: o herdeiro natural da MMS?
As operadoras apostam no Rich Communication Services (RCS) como sucessor direto. O padrão traz envio de imagens, vídeos, documentos e bate-papo em grupo para o aplicativo Mensagens nativo do Android. No entanto, o sucesso do RCS depende de vários fatores: a operadora precisa suportar o protocolo, o aparelho tem de ser compatível e o sistema operacional deve estar atualizado.
No universo iOS, a Apple ainda mantém o iMessage como solução própria, o que cria um cenário fragmentado. Mesmo assim, para quem usa um Android moderno, ativar o RCS já é simples em muitos mercados europeus — tendência que também avança no Brasil.
Imagem: Divulgação
Impacto prático para usuários
Se você utiliza um smartphone lançado nos últimos cinco anos, provavelmente nem lembrava que a MMS existia. O fim da MMS impacta principalmente quem permanece com celulares clássicos, conhecidos no Brasil como “tijolões”. Essas pessoas terão de trocar de aparelho ou ficar restritas à SMS até 2028, quando o GSM será desligado.
Um modelo de entrada como o Samsung Galaxy A16, hoje vendido no varejo brasileiro por cerca de R$ 1.300, já traz câmeras dignas, conexão 4G e compatibilidade com mensageiros populares, substituindo com folga qualquer telefone antigo dedicado à MMS.
Relembre os tempos da MMS
Lançada como evolução da SMS — limitada a 160 caracteres — a MMS prometia revolucionar a comunicação móvel no início dos anos 2000. Podia enviar fotos, pequenos vídeos e até arquivos de áudio. Porém, as configurações complexas, o tamanho mínimo permitido de arquivo e a lentidão da rede GSM frustraram expectativas de massa.
Hoje, o fim da MMS chega quase como formalidade. Os números explicam: em 2012, quando registrou seu recorde, ela representava apenas 0,8% do volume de mensagens na rede da Vodafone. Com a chegada de WhatsApp em 2009 e sua popularização a partir de 2011, a solução paga por unidade perdeu relevância rapidamente.
O que esperar a partir de 2026
Quando o relógio marcar 0h01 de 1º de julho de 2026 na Alemanha, qualquer tentativa de envio de MMS encontrará uma mensagem de erro no visor. Para quem mora, viaja ou mantém linha ativa no país, vale confirmar antes se todos os contatos já migraram para SMS, RCS ou apps de chat.
No restante do mundo, a tendência de desligamento segue o mesmo rumo. Operadoras de vários países já estudam datas semelhantes, impulsionadas pelo desinteresse do público e pelo custo de manter infraestrutura antiga. O portal Mania de Celular continuará de olho nessa transição para informar quando as redes brasileiras derem o próximo passo.
Até lá, resta celebrar a comodidade de enviar quantas imagens quiser, sem ficar calculando centavos por foto — algo que, há 20 anos, parecia ficção científica.
