O Kia EV2 foi apresentado como o menor utilitário elétrico da marca para o mercado europeu. Com 4,06 m de comprimento e cerca de 1,7 t, o SUV compacto mira motoristas que circulam majoritariamente na cidade ou fazem trajetos curtos de trabalho.

    Desenvolvido no centro de design de Rüsselsheim, na Alemanha, e fabricado em Žilina, na Eslováquia, o modelo reforça a estratégia da montadora de produzir veículos elétricos dentro do bloco europeu, reduzindo logística e prazo de entrega.

    Produção europeia e foco urbano

    Embora a Kia seja coreana, o EV2 foi pensado especificamente para consumidores do Velho Continente. O fato de sair de uma linha de montagem eslovaca diferencia o utilitário de concorrentes chineses que ainda dependem de importação integral.

    O chassi usa a conhecida plataforma E-GMP em arquitetura de 400 V, compartilhada com outros elétricos da marca, porém ajustada para um entre-eixos de 2,57 m. Curto o suficiente para encaixar em vagas apertadas, mas largo o bastante para garantir estabilidade em vias expressas.

    Design retilíneo e espaço interno surpreendente

    Por fora, a linguagem Opposites United se destaca com superfícies planas, dianteira baixa e luzes diurnas marcantes. Nas laterais, caixas de roda pronunciadas dão leve toque off-road.

    Na traseira, as lanternas recuadas dentro dos para-lamas chamam atenção e podem causar estranhamento. O pequeno aerofólio no teto completa o visual.

    Cabine para quatro ou cinco ocupantes

    Sem túnel central, a parte dianteira transmite sensação de amplitude. Atrás, a área para a cabeça impressiona: passageiros de até dois metros não tocam o teto. Já o espaço para pernas depende do ajuste dos bancos da frente.

    O EV2 pode ser encomendado como quatro-lugar, com assentos traseiros individuais deslizantes em 8 cm (opção de € 450), ou como cinco-lugar fixo. Porta-malas varia de 362 L a 403 L; rebatendo tudo, chega a 1.201 L.

    Motores, baterias e desempenho

    Dois conjuntos elétricos estão disponíveis. A versão de entrada traz bateria LFP de 42,2 kWh associada a motor de 108 kW (146 cv). Curiosamente, a opção Long Range usa pacote NMC de 61 kWh, mas potência menor: 99,5 kW (135 cv).

    Ambas entregam 250 Nm e velocidade limitada a 161 km/h (foram medidos 168 km/h em teste). A aceleração até 100 km/h ocorre em cerca de 9 s, dependendo da configuração.

    Autonomia declarada

    Segundo ciclo WLTP, o alcance chega a 317 km com a bateria curta e 453 km com a maior, sempre montando rodas menores. Com aros de 19 pol resistentes ao ar, o número cai para 413 km.

    No uso real, percursos de autoestrada mostraram consumo acima de 20 kWh/100 km, reduzindo o alcance para algo próximo de 195 km na versão de 42,2 kWh.

    Carregamento e recursos de conectividade

    Em corrente contínua, a bateria menor aceita até 118 kW, enquanto a maior limita a 110 kW. Um carregamento de 19 % a 80 % exigiu 26 min em condição de 20 °C. Já em corrente alternada, a marca oferece carregador interno de 11 kW como padrão; há opção de 22 kW por cerca de € 1.000.

    Função Vehicle-to-Load (V2L) e preparo para Vehicle-to-Grid equipam a versão Black Line, topo de linha. O sistema de navegação pode planejar paradas para recarga, mas só é série acima do pacote Earth.

    Interface digital familiar

    O painel segue o layout panorâmico com três telas, Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Comandos de voz acionam navegação, ar-condicionado e aquecimento de bancos, porém não reconheceram mudança de estação de rádio nem abertura de vidros durante testes independentes.

    Preços na Europa e estimativa para o Brasil

    A gama começa na linha Light, com bateria de 42,2 kWh, por € 26.600. Convertendo pela cotação média de R$ 5,40, o valor equivaleria a cerca de R$ 143 mil se chegasse hoje ao país, sem impostos locais.

    A configuração Air parte de € 28.990 (aprox. R$ 157 mil) e adiciona rodas de liga leve de 16 pol, climatização dual zone e pré-aquecimento da bateria. O nível Earth, por € 31.290 (R$ 169 mil), inclui frunk de 15 L e volante aquecido.

    Long Range e versão topo

    Quem prefere maior autonomia desembolsa pelo menos € 33.490 (R$ 181 mil). Já a Black Line, praticamente completa, custa € 40.890, algo em torno de R$ 221 mil. Mesmo nela, o carregador de 22 kW pede custo extra.

    Concorrência direta

    No mercado europeu, o Kia EV2 enfrentará VW ID.2all Cross, Renault 4 E-Tech, Skoda Epiq, Opel Frontera Electric, Mini Aceman e BYD Atto 2. Seus diferenciais são a produção local, banco traseiro ajustável e carga rápida acima de 110 kW.

    Ao mesmo tempo, a autonomia em rodovias, a abundância de plástico rígido na cabine e o preço elevado após acrescentar opcionais podem favorecer rivais, especialmente aqueles com propostas mais voltadas ao conforto.

    Adequação ao perfil urbano

    Com raio de giro de aproximadamente 10 m, o utilitário facilita manobras em bairros antigos ou estacionamentos apertados. Ruído de vento aparece a 120 km/h, mas na faixa de 50 km/h a 80 km/h o isolamento sonoro é aceitável para o segmento.

    Em uso corriqueiro de 30 km a 80 km diários — cenário típico de motoristas de grandes centros — a bateria menor oferece autonomia para vários dias sem recarga. Quem precisa viajar, porém, tende a optar pela versão de 61 kWh.

    Garantia extensa

    O pacote de fábrica mantém a já conhecida cobertura de 7 anos para o veículo e 8 anos ou 160 mil km para a bateria, ponto que costuma pesar na decisão de compra.

    No Mania de Celular, seguimos atentos à intersecção entre mobilidade elétrica e tecnologia, tema que ganha espaço entre leitores interessados em inovação e conveniência no dia a dia.

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