“Se eu tivesse comprado aquelas ações lá atrás.” A frase ecoa sempre que uma empresa vira máquina de dinheiro, alimentando o sonho do próximo bilhete premiado na bolsa.

Com a chegada do IPO da SpaceX em 12 de junho, a cantilena reaparece. Afinal, quem não quer ter em carteira a companhia de foguetes de Elon Musk antes de um possível salto histórico?

O que sabemos sobre o IPO da SpaceX até agora

A oferta pública inicial está prevista para 12/6. Segundo prospecto preliminar, cada papel poderá sair por até €145.

Numa conversão direta, esse teto equivale a aproximadamente R$800, considerando o euro perto de R$5,50. Não há, por enquanto, recibos de ações (BDRs) anunciados para o mercado brasileiro.

Demanda antecipada já preocupa analistas

Corretoras europeias, como a alemã Trade Republic, permitem reservar lotes antes da estreia. Isso alimenta a percepção de que a demanda será “cósmica”, pressionando o preço logo na largada.

Especialistas alertam que, quando o entusiasmo é precificado antes mesmo do primeiro pregão, o espaço para novas surpresas positivas diminui drasticamente.

Google: ganhos vieram com paciência, não no primeiro dia

O IPO da Google em 2004 saiu a US$85; encerrou a estreia pouco acima de US$100. Nada de fogos de artifício.

Os maiores lucros apareceram para quem segurou o papel por anos. A lição: desempenho no “dia um” raramente define o resultado final.

Facebook/Meta: da euforia ao tombo de 50 %

Quando a rede social abriu capital em 2012, a vitória parecia garantida. Problemas técnicos na Nasdaq e dúvidas sobre a avaliação cortaram o preço pela metade nos meses seguintes.

Investidores que aguentaram o baque viram a ação voltar a subir anos depois, consolidando a Meta como uma das gigantes tech.

Tesla: volatilidade extrema antes do estrelato

A montadora de Elon Musk vendeu ações pela primeira vez em 2010. O papel até subiu na estreia, mas sofreu fortes quedas depois, pressionado por atrasos na produção e críticas ao CEO.

Só bem mais tarde veio a disparada que transformou a Tesla em fenômeno de mercado. O caso mostra como narrativas podem demorar a se concretizar.

Airbnb: quem entrou na abertura pagou a festa

Em 2020, o preço de lançamento foi fixado em US$68, mas o primeiro negócio saiu acima de US$140. O investidor que comprou no calor do momento teve de suportar perdas expressivas quando a cotação recuou nos meses seguintes.

A dinâmica se repete em muitos IPOs: os alocados na prévia comemoram, enquanto quem chega atrasado financia parte da comemoração.

Rivian: expectativa alta demais pode afundar uma ação

A montadora elétrica estreou em 2021 avaliada acima de montantes semelhantes a fabricantes tradicionais. Bastaram atrasos na linha de montagem para o preço desabar.

O episódio lembra que ideias ambiciosas não substituem execução — e que, quando o mercado já paga caro pela promessa, qualquer tropeço pesa.

Por que o IPO da SpaceX se encaixa nesse histórico

A empresa vende mais que foguetes; vende uma visão de futuro que inclui internet via satélite e viagens tripuladas ao espaço.

Além disso, Elon Musk mobiliza fãs e críticos em igual intensidade. Para alguns, ele é pioneiro; para outros, mestre da autopromoção. Ambos os perfis costumam inflar expectativas.

Três roteiros comuns após um grande IPO

1. Explosão inicial: preço dispara, quem entrou cedo comemora.
2. Reversão: avaliação se mostra exagerada, ação devolve ganhos.
3. Lenta maturação: pouco movimento nos primeiros anos, avanço marcante só depois.

Nenhum cenário é garantia. O desafio é suportar oscilações — inclusive a possibilidade de ver os R$800 virarem R$500 ou R$400 antes de qualquer recuperação.

Quanto custa o sonho no bolso do investidor brasileiro

Sem BDRs confirmados, o caminho mais simples para quem está no Brasil é abrir conta em corretoras estrangeiras que negociem o papel diretamente.

Além do câmbio, incidem taxas de custódia internacional e Imposto de Renda sobre ganhos de capital. Por isso, o “preço Brasil” vai além dos R$800 iniciais.

Perguntas que todo comprador deveria fazer

• Eu aceito ver meu capital encolher pela metade no curto prazo?
• Sou capaz de segurar a ação por anos, como ocorreu com Google e Tesla?
• Entendo os riscos de um negócio que depende de contratos governamentais e lançamentos bem-sucedidos?

Resumo: hype é fácil, consistência é rara

A história de Google, Meta, Tesla, Airbnb e Rivian mostra que grandes estreias podem render fortuna ou frustração.

No Mania de Celular, acompanhamos como a tecnologia transforma não só nossos bolsos, mas também nosso cotidiano. O IPO da SpaceX concentra ambos os elementos, combinando engenharia de ponta com o velho ímpeto humano de apostar no futuro.

Para quem cogita participar, o dia 12 de junho é apenas o começo. Como sempre na bolsa, o teste real virá nos meses e anos seguintes, quando ruídos, números e foguetes saírem da atmosfera da promessa e entrarem na gravidade dos resultados.

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Sou redator especializado em conteúdo tech e entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo reviews, dicas e comparações, com experiência como colunista em sites de referência.