Enquanto grande parte da indústria móvel manteve-se estável em 2025, a Turquia nadou contra a maré e entregou crescimento.

    O destaque não está no consumo interno, mas na exportação: para cada dólar gasto por jogadores turcos, estúdios locais ganham oito no exterior.

    Os dados mais recentes mostram um país que fabrica hits mundiais, principalmente de puzzle, impulsionado por subsídios que reduzem até 70 % dos custos de aquisição de usuários.

    Confira, a seguir, os números, os principais estúdios e o que esperar desse ecossistema que já dita tendências de monetização e LiveOps.

    Estado do mercado mobile turco em 2026

    Os desenvolvedores turcos geraram US$ 2,76 bilhões em receita global de compras in-app (IAP) em 2025, crescimento médio anual de 42 % desde 2020.

    Dentro do país, o gasto chegou a US$ 347 milhões, alta de 6 %. A diferença entre esses dois valores resume o potencial de exportação do setor.

    Principais indicadores

    • Participação global saltou de 1 % para 5 % em seis anos.
    • Puzzle responde por 96,9 % da receita dos estúdios locais.
    • Downloads internos caíram 4 %, sugerindo foco em monetização da base existente.

    Tamanho e projeções do mercado doméstico

    O mercado interno deve atingir US$ 500,8 milhões em 2029, segundo a Statista, ritmo anual de 7 %.

    Apesar do avanço, o volume segue modesto se comparado às cifras globais captadas pelas empresas turcas, que já representam o principal motor de crescimento.

    Impacto para consumidores brasileiros

    No Brasil, um smartphone intermediário capaz de rodar títulos turcos populares, como Royal Match, custa em média R$ 2.000 em varejistas online.

    Por que os jogos de puzzle dominam a receita

    Quase 97 % do faturamento turco vem de puzzles, embora o gênero represente apenas 28 % do catálogo lançado.

    Isso indica especialização em mecânicas de match-three e modelos híbridos de casual, que convertem jogadores e atraem investimentos robustos.

    Risco de concentração

    Ao mesmo tempo, a dependência excessiva de um único gênero é vista como potencial vulnerabilidade caso a demanda global por puzzles esfrie.

    Estúdios que puxam a fila

    Dois nomes concentram a maior parte do caixa. A Dream Games somou US$ 1,7 bilhão em 2025 com apenas dois títulos, Royal Match e Royal Kingdom.

    Já a Peak Games arrecadou US$ 619,7 milhões, impulsionada por Match Factory!, Toy Blast e Toon Blast. Rollic aparece em terceiro, com US$ 207 milhões, publicando jogos de terceiros.

    Mercado turco de jogos mobile alcança US$ 2,76 bi e lidera tendências globais em 2026

    Imagem: Andrea Knezovic

    Dream Games e o modelo de portfólio enxuto

    Com foco em poucas IPs e forte operação de LiveOps — mais de 150 eventos mensais —, a empresa levantou a maior rodada de capital do país: US$ 2,5 bilhões em 2025.

    Investimentos e aquisições

    Desde 2009, estúdios turcos captaram US$ 3,6 bilhões em 24 rodadas anuais, em média. O ano de 2025 foi atípico pelo mega-aporte da Dream Games, mas, excluindo-o, o volume ainda foi 32 vezes maior que em 2020.

    Na frente de M&A, o ritmo acelera. Após vender Peak, Gram e Rollic, a Zynga abriu caminho para negociações rápidas, como a compra da Loom Games pela Scopely, avaliando a novata acima de US$ 1 bilhão em menos de um ano.

    Mecânicas exportadas para o mundo

    Os turcos não só faturam alto como criam tendências. O evento Lava Quest, de Royal Match, já está presente em metade dos principais títulos casuais e híbridos.

    Na publicidade, o conceito “save the king”, introduzido pela Dream Games, virou roteiro padrão em criativos de Candy Crush Saga e outros sucessos ocidentais.

    Clonagem rápida no híbrido casual

    Lançamentos como Knit Out e Pixel Flow! inspiram ondas de clones em questão de semanas, mas, conforme mostram os dados, o primeiro a chegar ainda retém a maior parte da receita.

    Incentivos governamentais que reduzem custos

    Estúdios elegíveis recebem reembolso de 60 % a 70 % do gasto com mídia e metade das comissões de Apple e Google, graças a programas do Ministério do Comércio e ao Decreto Presidencial 10.962.

    Além disso, a receita de software exportado paga apenas 4 % de imposto, e empresas instaladas em tecnoparques gozam de isenção total até 2028.

    Vantagem competitiva em UA

    Na prática, o subsídio barateia dramaticamente o custo por instalação em um cenário global de CPIs inflacionados, permitindo testes e escalonamentos que rivais não conseguem sustentar.

    O que virá a seguir

    Analistas apontam amadurecimento do mercado: crescimento moderado, mas consistente, tanto internamente quanto nas exportações.

    O desafio está em diversificar além do puzzle, aplicando a velocidade de iteração turca a novos gêneros. Para o Mania de Celular, vale acompanhar se essa transição manterá o país no topo das receitas globais.

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    Sou redator especializado em conteúdo tech e entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo reviews, dicas e comparações, com experiência como colunista em sites de referência.