Produtos como Gut&Günstig, ja!, Saskia ou Moser Roth já fazem parte do carrinho de quem busca economia na Europa. São marcas próprias de redes como Aldi, Lidl, Rewe e Edeka, criadas para competir com fabricantes tradicionais sem pesar no bolso.

    Mas qual é a lógica por trás dessa estratégia? Conversas com o Instituto de Pesquisa de Varejo de Colônia (IFH Köln) apontam para um movimento que vai muito além do desconto na gôndola. A seguir, veja como essas empresas moldam o mercado e o que muda para consumidoras e consumidores.

    Marcas próprias nasceram como aposta de preço agressivo

    No início, Aldi concentrou quase todo o sortimento em itens de marca própria para se diferenciar por preço. A tática funcionou: esses produtos custam bem menos que as versões de grandes fabricantes.

    Segundo o IFH Köln, esse modelo “100% marca própria” foi rapidamente observado pelos concorrentes. Hoje, discounters também vendem marcas famosas, enquanto supermercados ampliam linhas próprias para brigar na mesma faixa de preço de entrada.

    Economia clara para quem compra

    Ao substituir refrigerantes de renome por opções como River ou Freeway, o consumidor paga menos por um produto considerado equivalente. O mesmo vale para ferramentas: em vez de Makita, surge Parkside nas prateleiras.

    Foco atual: liderança em custo-benefício

    Redes como Edeka (Gut&Günstig) e Rewe (Beste Wahl) trabalham para que o público perceba qualidade similar à de fabricantes, mas com valor inferior. O objetivo é trocar a ideia de “mais barato” pela de “melhor negócio”.

    Essa virada levou parte do portfólio a um patamar premium dentro das próprias marcas, criando categorias que competem tanto em sabor ou durabilidade quanto em preço.

    Produtos premium elevam a margem das redes

    Quanto mais forte é a marca interna, maior tende a ser a margem de lucro do varejista. O segmento de entrada oferece ganhos menores, mas linhas premium compensam, explica o IFH Köln.

    Para o cliente, continua sendo um preço atraente; para a empresa, o ticket sobe sem sacrificar competitividade.

    Oferta de non-food vira chamariz de público

    Ferramentas Parkside, eletrodomésticos Silvercrest e outras ofertas sazonais transformaram Lidl e Kaufland em destinos para muito além de alimentos. Quem chega em busca de uma fritadeira ou de móveis de jardim, acaba enchendo o carrinho com mantimentos.

    A procura costuma ser tão alta que forma filas logo cedo. A quantidade limitada de itens cria sensação de urgência, alimentando o “hype” e impulsionando visitas.

    Sortimento passa por revisão constante

    Lojas estão sempre renegociando contratos para encontrar fornecedores capazes de manter custos baixos. Mudanças como a recente troca de várias marcas próprias de non-food da Kaufland por linhas da Lidl fazem parte desse ajuste permanente.

    No setor alimentício, a dinâmica é ainda mais intensa, com crescimento de áreas de frescos, congelados e delicatessen, segundo o instituto alemão.

    Menos lealdade, mais concorrência nos corredores

    Fabricantes elevaram preços nos últimos anos para cobrir despesas de pessoal, transporte e energia, repassando custos diretamente ao público. Já as marcas próprias subiram pouco ou nada, pois leves alterações já mexem no volume de vendas.

    Isso reduziu a fidelidade não só às marcas de fábrica, mas também às do varejo. A disputa por espaço na despensa do consumidor ficou ainda mais acirrada.

    Tendência: enxugamento e segmentação de linhas próprias

    Especialistas do IFH Köln enxergam uma “limpeza” de portfólio em curso. Supermercados, por exemplo, focam em suas linhas premium, enquanto mantêm somente o essencial no nível mais barato. A variedade maior deve continuar nos discounters, onde a busca por alternativas econômicas cresce.

    Com mais de metade da população temendo queda no padrão de vida, a demanda por preços acessíveis só aumenta. No entanto, produtos de marca própria considerados fortes podem ficar mais caros no futuro ou até sair de linha, caso não sustentem margens.

    Para quem acompanha tendências de consumo, inclusive aqui no Mania de Celular, vale observar como as redes equilibram preço, qualidade e oferta limitada para manter o interesse dos compradores.

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    Sou redator especializado em conteúdo tech e entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo reviews, dicas e comparações, com experiência como colunista em sites de referência.