Um par de óculos capaz de eliminar qualquer barreira linguística em segundos.
Foi isso que repórteres estrangeiros, incluindo a alemã Corinna Oettinger, encontraram na Global Connect Show, na China.
Ao lado de robôs garçons e fábricas que produzem smartphones para marcas famosas, eles viram como a tecnologia chinesa já está pronta para saltar além do que imaginamos.

A experiência mudou a imagem que muitos ainda têm do país: nada de corredores cinzentos e fechados, mas sim laboratórios limpos, ruas organizadas e uma confiança gigante no poder da inteligência artificial.
A caravana visitou empresas de peso, conheceu processos minuciosos de produção e testou dispositivos que apontam para um futuro onde o smartphone pode até perder relevância.

Óculos inteligentes da Rokid quebram o gelo das conversas

A grande estrela do tour foi a Smart Glass da Rokid. Basta colocar o acessório para que ele traduza uma conversa inteira, em tempo real, até mesmo do chinês — idioma considerado um dos mais desafiadores para qualquer tradutor automático.
Segundo a empresa, a façanha acontece porque a IA analisa frases inteiras, e não apenas palavras soltas, oferecendo sentido completo e naturalidade ao diálogo.

Chen Ming, CEO da Rokid, acredita que, em cinco a dez anos, dispositivos vestíveis como esse podem substituir totalmente o celular.
No mercado chinês, o gadget gira em torno de 2 000 yuans. Convertendo para o real, seriam cerca de R$ 1 400, mas taxas de importação e impostos podem dobrar esse montante. Por aqui, o Mania de Celular apurou que não há previsão de venda oficial; quem quiser importar deve preparar algo próximo de R$ 3 000 para ter o acessório em mãos.

Tradução instantânea e autonomia da IA

A demonstração impressionou porque eliminou a necessidade de aplicativos intermediários.
Com legendas projetadas dentro das lentes, os jornalistas conseguiam acompanhar cada palavra sem desviar o olhar da pessoa à frente — algo que nenhuma tela de smartphone oferece.

Robôs da Keenon: de garçons a baristas em ambientes reais

Se a tradução já parece futurista, os robôs da Keenon mostram que a automação caminha a passos largos. Nos galpões da companhia, máquinas autônomas limpam líquidos derramados, entregam refeições em hotéis e servem café em cafeterias piloto.
Apesar do desempenho eficiente, a operação ainda acontece em espaços controlados, sem interação irrestrita com o público.

A Keenon distribui alguns modelos também no Brasil, sobretudo para restaurantes temáticos. Por aqui, cada unidade custa entre R$ 70 000 e R$ 90 000, valor ainda alto para estabelecimentos de pequeno porte.
Mesmo assim, a empresa afirma que a procura cresce, especialmente em redes de fast-food que buscam reduzir filas e atrair curiosos.

Limpeza, entrega e preparo de bebidas

Durante a visita, os jornalistas viram robôs enxugando corredores, desviando de obstáculos e preparando expressos sem tocar em um único botão físico.
Os técnicos responsáveis ressaltam que, ao contrário de testes dentro de laboratórios europeus, as máquinas chinesas já executam tarefas comerciais rotineiras.

Longcheer: bastidores de quem fabrica celulares para marcas globais

Outro ponto alto da viagem foi a Longcheer, empresa que produz smartphones para gigantes como Samsung.
Em salas de testes, câmeras são expostas a milhares de fotos simuladas, telas passam por toques robotizados e braços mecânicos tiram o aparelho da caixa inúmeras vezes para evitar problemas de transporte.

O rigor impressiona: qualquer falha provoca ajustes imediatos na linha de montagem.
Esse cuidado explica por que, ao abrir uma caixa de celular novo e vê-lo escorregar, dificilmente encontramos danos internos.

Automação em cada etapa

Do corte da placa ao lacre final, tudo é supervisionado por IA.
Os algoritmos detectam microfissuras e medem variações de cores na pintura, garantindo uniformidade entre lotes imensos.

Por que a tecnologia chinesa avança tão rápido?

O ponto comum em todas as paradas da excursão foi a ousadia em apostar na inteligência artificial não apenas como ferramenta, mas como substituta de trabalho humano.
Pesquisas apresentadas ao grupo mostram que startups chinesas e norte-americanas colocam mais produtos no mercado, com ciclos de testes reais, que suas congêneres europeias.

Segundo especialistas locais, um dos motivos é a menor preocupação popular com perda de empregos: a cultura valoriza a inovação imediata e aceita ajustes ao longo do caminho.
Essa mentalidade encurta prazos, faz protótipos chegarem mais cedo às mãos do consumidor e acelera a adoção em massa.

Mercado brasileiro observa e aprende

Ainda que a “tecnologia chinesa” avance em ritmo quase frenético, empresas brasileiras começam a importar soluções ou estabelecer parcerias para fabricação local.
Varejistas já testam pagamento por reconhecimento facial e hotéis avaliam robôs de entrega, repetindo etapas vistas na viagem dos jornalistas.

O que vem no próximo capítulo da série

A cobertura continua na próxima semana, com foco no dia a dia de moradores que utilizam drones para entregas, pagamentos sem aplicativo e transporte sem motorista.
Os episódios serão disponibilizados em plataformas de áudio como Spotify, Apple Podcasts e Deezer, trazendo relatos em primeira mão diretamente da China.

Enquanto isso, segue a pergunta: até onde a “tecnologia chinesa” substituirá o smartphone?
Se depender dos óculos da Rokid, a resposta pode chegar muito antes do que imaginamos.

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Sou redator especializado em conteúdo tech e entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo reviews, dicas e comparações, com experiência como colunista em sites de referência.