Quem entrou recentemente em alguma loja da Kaufland na Alemanha certamente esbarrou com furadeiras Parkside logo na entrada. A cena, antes restrita às unidades da Lidl, agora é frequente no hipermercado da mesma holding.
A decisão faz parte de um plano da Schwarz-Gruppe, controladora de ambas as redes, que pretende concentrar suas marcas próprias de itens não alimentares em menos rótulos e, assim, reforçar a presença desses produtos junto ao consumidor.
O movimento: marcas da Lidl no Kaufland chegam para ficar
Segundo comunicado divulgado pelo diretor de compras da Kaufland, Jochen Baab, os artigos Parkside — já testados com sucesso — abriram caminho para uma migração maior. A partir de agora, linhas completas de Crivit (roupas e acessórios esportivos) e Silvercrest (eletrodomésticos de cozinha e casa) passam a ocupar espaço fixo nas gôndolas.
Além da exposição contínua, a rede promete abastecer o chamado sortimento de ação, setor dedicado a ofertas temporárias, com lançamentos e edições especiais das mesmas marcas. Na prática, o cliente encontrará sempre algum item novo dessas grifes ao circular pelos corredores.
Próximas a desembarcar
A ofensiva não para em Crivit e Silvercrest. Em etapas futuras, devem ser incorporadas ainda Livarno (móveis e decoração), Esmara (moda feminina e acessórios) e Lupilu (artigos para bebê e criança). Todas pertencem à Lidl e carregam forte reconhecimento entre os frequentadores do discounter.
Como fica o portfólio da Kaufland
Para acomodar a nova vitrine, a Kaufland vai enxugar parte de seu catálogo interno. Rótulos como Spice & Soul (utensílios de cozinha), Kuniboo (linha infantil), Newcential (esportes), Switch On (eletro), Oyanda (vestuário) e Liv&Bo (móveis) serão gradualmente retirados.
De acordo com Baab, a substituição não atinge marcas nacionais consagradas vendidas pela rede, apenas as etiquetas próprias consideradas menos competitivas. A meta é evitar que dois selos do mesmo grupo disputem atenção dentro de um único ponto de venda.
Menos é mais, dizem os estrategistas
A concentração de rótulos responde a um cenário visto pelos gestores como inflacionado, com excesso de labels disputando o bolso do comprador. Reduzir o cardápio, argumenta a companhia, traz mais clareza e reforça a identidade das marcas sobreviventes.
Especialista avalia a jogada
Para o Dr. Kai Hudetz, do Instituto para Pesquisa do Varejo (IFH) de Colônia, a mudança faz sentido estratégico. Ele lembra que Parkside, apesar de ser uma marca própria, já é percebida pelos consumidores como um nome “de mercado”, capaz de rivalizar com fabricantes tradicionais de ferramentas.
“Quando uma etiqueta própria atinge esse patamar, ampliá-la para outros canais da holding é um passo lógico”, afirma. Hudetz reforça ainda que o segmento de entrada em preço vive competição intensa, o que torna relevante trabalhar selos com apelo de marca consolidada.
Imagem: Shutterstock
Resultados iniciais positivos
A experiência com Parkside serve de termômetro: tanto na Lidl quanto na Kaufland, a procura por furadeiras, parafusadeiras e acessórios superou expectativas internas. O bom desempenho validou a expansão para Crivit e Silvercrest.
Impacto para o consumidor
Para quem compra na Alemanha, a consequência imediata é maior variedade em categorias como esportes, eletrodomésticos e bricolagem, agora sob um mesmo teto. A promessa da rede é manter a tradicional política de preços agressivos, característica dos discounters.
Já o público brasileiro que acompanha novidades do varejo internacional por sites como o Mania de Celular não deve encontrar esses produtos por aqui tão cedo. Kaufland e Lidl não operam no país, e a importação oficial das linhas Parkside ou Silvercrest ainda não foi confirmada pelos grupos locais de distribuição.
Comparação de preços
Na Europa, uma furadeira Parkside pode custar cerca de 30 euros, enquanto um air fryer Silvercrest gira em torno de 60 euros. Convertendo diretamente, sem impostos, os valores ficariam próximos de R$160 e R$320, respectivamente. Entretanto, tarifas de importação e logística tornariam os preços finais muito mais altos caso chegassem ao varejo nacional.
Próximos passos da Schwarz-Gruppe
Com o projeto de unificação de marcas non-food em andamento, a holding vai monitorar desempenho de vendas, percepção do consumidor e possível canibalização entre linhas. Se os números mantiverem tendência positiva, a estratégia poderá ser replicada em outros mercados onde o grupo atua.
Por enquanto, a mudança concentra-se em território alemão, mas observadores do setor já especulam sobre futuros testes em países da Europa Central e do Leste, onde Lidl e Kaufland compartilham estruturas logísticas.
O que esperar
A curto prazo, quem frequenta a Kaufland deve notar prateleiras mais padronizadas, com menos marcas próprias, porém mais fortes. Para a Lidl, a medida significa ampliar o alcance de seus best-sellers sem abrir novas lojas, aproveitando a capilaridade do “irmão” hipermercado.
Resta acompanhar se a simplificação de portfólio, defendida pelos executivos como solução para a “inflação de labels”, manterá o fôlego inicial e continuará a atrair consumidores em busca de preço baixo aliado a percepção de qualidade.
