Robôs corta-grama sem fio já deixaram de ser curiosidade tecnológica e viraram alternativa real para quem quer evitar o trabalho de puxar fio ou instalar cabo perimetral.
Nessa disputa, o Mova LiDAX Ultra 1000 chama atenção por trazer sensores LiDAR de 360° e câmera com inteligência artificial, mas custar menos que vários modelos premium.
No exterior, o equipamento sai por 849 euros. Convertendo, isso dá algo perto de R$ 4,7 mil, sem impostos ou taxas de importação — valor que subiria ainda mais em uma eventual venda oficial no Brasil.
Será que o pacote de recursos compensa? O Mania de Celular acompanhou os testes internacionais para reunir os pontos fortes e fracos do aparelho.
Instalação rápida, sem cabo perimetral
O grande atrativo do LiDAX Ultra 1000 é dispensar o tradicional fio delimitador. Basta posicionar a base de recarga, conectar ao Wi-Fi e guiar o robô pelo contorno do jardim na primeira vez.
Todo o processo leva poucos minutos e elimina horas de trabalho que cabos subterrâneos costumam exigir. A interface do aplicativo também se mostrou direta, exigindo apenas um firmware update inicial.
Configuração via aplicativo
Depois de parear o robô, o usuário pode mapear o gramado manualmente ou deixar que o software crie o trajeto. Nos testes, o procedimento manual gerou mapas mais precisos, graças à velocidade constante do robô durante a gravação.
Interessante notar que o sistema guarda duas áreas independentes, permitindo separar frente e fundos de forma prática.
Desempenho de corte agrada no dia a dia
No que realmente importa — qualidade do gramado — o aparelho não decepciona. A altura pode ser regulada digitalmente de 3 a 10 cm em passos de 0,5 cm, faixa maior que a de boa parte dos rivais nessa faixa de preço.
O disco de corte traz três lâminas e 20 cm de largura. Embora suficiente para jardins médios, perde para concorrentes como o Roborock RockNeo Q105, que entrega 22 cm.
Ajuste de altura amplo
O intervalo de 3 a 10 cm permite até quem prefere grama mais alta manter o visual uniforme. O corte sai limpo, sem fiapos, e a textura final fica acima da média do segmento intermediário.
Largura e mapeamento afetam tempo
A menor largura obriga mais passadas para cobrir 1.000 m², prolongando o trabalho quando comparado a modelos com disco maior. Mesmo assim, a trajetória paralela desenhada pelo LiDAR garante linhas retas e evita zonas repetidas.
Promessa de corte de bordas não se cumpre
Um dos diferenciais divulgados pela marca é o disco retrátil que chegaria a 5 cm de muros e canteiros. Na prática, o robô manteve cerca de 10 cm de distância, obrigando retoques manuais com aparador.
Para quem valoriza acabamento rente, vale considerar modelos que ofereçam acessórios ou módulos específicos para bordas, ainda que mais caros.
Imagem: Divulgação
Navegação por LiDAR e inteligência artificial
O combo LiDAR + IA permite ao robô funcionar sem GPS e independente de luz solar, algo útil sob árvores densas. Durante os testes, ele manteve posição mesmo com sinal de satélite fraco.
Quando a chuva começa, o sensor de precipitação devolve o equipamento à base automaticamente, evitando atolamentos em solo encharcado.
Falhas na detecção de obstáculos
Apesar da tecnologia embarcada, a câmera não reconheceu objetos baixos e até colidiu com itens maiores antes de registrá-los no mapa. O aplicativo exibe o obstáculo depois do impacto, o que limita a utilidade do recurso.
Há um modo de proteção a animais na interface, mas a performance inconsistente levanta dúvidas sobre a real segurança para pequenos bichos.
Autonomia e recarga
A bateria de 4 Ah promete cobrir até 800 m² em 24 h no modo padrão ou 1.200 m² em modo eficiência. Durante o teste, cada carga levou cerca de 60 min para completar e não foi suficiente para os 1.000 m² anunciados, exigindo retornos frequentes à base.
O ciclo maior pode esticar o trabalho por horas, especialmente em gramados maiores e irregulares, onde o robô tende a escavar e deixar marcas se o solo estiver fofo.
Recursos de segurança e conectividade
Além do PIN que bloqueia o uso, o LiDAX Ultra 1000 dispara alarme ao ser levantado e pode enviar imagem ao vivo quando detecta pessoas no quintal. A função transforma o robô em câmera de vigilância improvisada.
Quem quiser rastreamento fora do Wi-Fi pode comprar um módulo extra com GPS ou encaixar um AirTag no compartimento interno, ampliando as chances de recuperar o aparelho em caso de furto.
Preço e concorrência no Brasil
Os 849 euros equivalem a cerca de R$ 4,7 mil, sem tributos. Considerando impostos de importação e margens de varejo, o custo final nacional ficaria bem acima de 5 mil reais — valor alto para um produto com falhas claras na detecção de objetos e no corte das bordas.
Nessa faixa, o já citado Roborock RockNeo Q105 aparece como rival direto: custa 799 euros lá fora, tem disco de 22 cm e apresenta menos erros na navegação, segundo testes independentes.
No balanço geral, o Mova LiDAX Ultra 1000 se destaca pela instalação simplificada, range de altura generoso, app intuitivo e boa qualidade de corte, mas tropeça em promessas importantes — especialmente no acabamento de cantos e na percepção de obstáculos.
