Memória Operacional: O que é e como é importante para o trabalho

Estimular esse processo facilita tarefas cognitivas complexas, como raciocínio lógico, resolução de problemas, compreensão da linguagem e aprendizagem.

A memória operacional, conhecida também como memória de trabalho, é a capacidade do cérebro de assimilar dados e informações conforme determinadas tarefas são realizadas. De acordo com pesquisas científicas, graças a ela, é possível, por exemplo, lembrar o nome de uma pessoa ao avistá-la na rua, discar um número de telefone ou aprender uma nova atividade no trabalho. 

Dessa forma, a memória operacional é um conjunto de processos responsável por organizar e armazenar informações temporárias. Algumas maneiras de estimular essa capacidade incluem realizar exercícios cognitivos, jogar quebra-cabeças e jogos de memória ou fazer um mapa mental.

Vale ressaltar que tarefas cognitivas complexas, como processos de raciocínio lógico, resolução de problemas, compreensão da linguagem e aprendizagem têm na memória operacional aporte essencial para serem desencadeados de maneira eficiente. Além disso, é fundamental para um melhor desenvolvimento no trabalho e nos estudos.

Indivíduos que lidam com distúrbios na memória operacional podem apresentar problemas relacionados à aprendizagem, como hiperatividade, déficit de atenção, dislexia e restrições no desenvolvimento da linguagem.

Novas descobertas

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual da Flórida e da Universidade de Nova York revelou o “código secreto” no qual o cérebro se baseia para lembrar e, principalmente, para criar a memória operacional. De acordo com o estudo, a memória de trabalho extrai somente a informação sensorial mais relevante do conjunto de estímulos e, a partir daí, a resume em um código mais simplificado.

A pesquisa publicada na revista científica Neuron, em abril de 2022, é considerada pioneira e apresenta um novo olhar sobre a formação da memória operacional. Isso porque, até então, acreditava-se que ela dependia de armazéns específicos de memória ou que refletia sobre acontecimentos passados repetidas vezes.

Para o experimento, foi usada uma técnica de varredura cerebral conhecida por  ressonância magnética funcional (FMRI, na sigla em inglês). Ela mensura as mudanças no fluxo sanguíneo direcionado a diferentes partes do cérebro. Dessa forma, foi possível visualizar a atividade cerebral em um tipo de mapa topográfico.

A partir de um teste com estímulos visuais, os pesquisadores perceberam que as células do cérebro responsáveis por processar dados visuais contam com um “campo receptivo” específico. Ou seja, em vez de fazer a codificação de todos os detalhes de cada gráfico, o cérebro armazena somente as informações necessárias para o desempenho da tarefa em questão.

A conclusão é que esse tipo de memória atua como uma ponte entre a percepção (no ato de ler um dado) e a ação (quando é preciso escrever sobre esse dado). Segundo a equipe de pesquisa, em entrevista ao site Live Science, para aprofundar ainda mais o conhecimento sobre a memória de trabalho, um novo estudo deve ser feito. O campo de análise, conforme os pesquisadores, vai precisar recriar estímulos mais detalhados e ricos para que correspondam melhor ao dia a dia do ser humano.

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Características da memória operacional

A memória operacional é modulada pelo córtex frontal dorsolateral e não possui a capacidade de assimilar todas as informações ao mesmo tempo. Assim, o processo busca estratégias para absorver a maior quantidade de dados possíveis. Suas principais características são a capacidade limitada, o caráter de ser ativa – uma vez que não apenas armazena informações, mas também as transforma e manipula –, e a capacidade de ser integrativa e associativa.

A memória operativa é utilizada todos os dias para realizar diversas atividades.  Enquanto as pessoas realizam determinadas tarefas, é ela que permite ser possível reter elementos necessários no cérebro. Essa capacidade permite conciliar duas ou mais ações que acontecem em conjunto. Por exemplo, lembrar e responder aos conteúdos falados durante uma conversa; associar um novo conceito a ideias anteriores; e compreender a sequência lógica de um filme.

A relação do mapa mental com a memória de trabalho

O mapa mental foi criado pelo psicólogo Tony Buzan em 1970. Estudante de psicologia cognitiva na época, ele pesquisava sobre quais são os requisitos principais para o armazenamento de informações. Nesse contexto, desenvolveu o mapa mental com o intuito de otimizar atribuições como gestão de informações e conhecimento; compreensão e solução de problemas; e memorização e aprendizado.

Os mapas mentais são, basicamente, representações visuais e gráficas de determinado tema ou assunto. A ideia é que eles representem a maneira como um conceito está estruturado dentro da mente humana, com ligações por meio de associações entre diferentes informações e com o objetivo de guiar a cadeia do pensamento toda vez que for difícil organizá-lo.

Sendo assim, funcionam como ferramentas de organização de ideias por meio do fortalecimento e da ativação da memória no desenvolvimento de projetos. O mapa mental promove, ainda, conexões adequadas para se estabelecer uma linha de raciocínio eficiente.

No ambiente de trabalho, essa ferramenta pode ser usada para promover sessões de brainstorming, analisar problemas de forma ampla e visualizar soluções disponíveis.

Amanda Kall

Jornalista fascinada pela internet

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